quinta-feira, 29 de março de 2012

OS FALASHAS

Em 1984, o governo israelense, com a ajuda da polícia secreta do país, o Mossad, decidiu dar fim ao sofrimento de milhares de judeus negros que viviam na Etiópia sob o terrível regime do ditador Mengistu Haile Mariam.

Mas, antes de continuar a contar sobre o resgate, é preciso esclarecer alguns pontos. Para quem vive no Brasil, onde a comunidade judaica é composta maciçamente por judeus ashkenazim, caucasianos oriundos do Leste Europeu, é difícil imaginar judeus negros, que são, acima de tudo, reconhecidos e respeitados pelo governo de Israel como cidadãos daquele país.



Quem são eles?

Os falashas, nome dado aos judeus etíopes, foram descobertos por viajantes britânicos, em 1860, quando, em uma viagem à Etiópia, conheceram membros de uma comunidade que respeitavam o sábado e mantinham leis e rituais contidos na Torah. Acreditou-se, então, que eles eram membros de uma das doze tribos hebraicas, descendentes do rei Salomão e da rainha de Sabá.

Operação Moisés

Voltando ao resgate. Em novembro de 1984, o governo de Israel, apoiado pelo Mossad, realizou a Operação Moisés, que em 45 dias resgatou etíopes que chegavam a pé até um acampamento no Sudão, país que faz fronteira com a Etiópia. Muitos deles não aguentaram a longa jornada, estavam muito fracos e debilitados devido à miséria que enfrentavam na Etiópia. Os que conseguiram chegar ao acampamento foram transportados pela Marinha e a Força Aérea Israelense.

Operação Salomão

Em maio de 1991, o então embaixador de Israel na Etiópia, Asher Naim, quis dar continuidade à Operação Moisés. Ele foi o idealizador da Operação Salomão, que salvou mais de 14 mil judeus etíopes da guerra civil que assolava o país. Naquela operação, um avião com capacidade para 760 passageiros, transportou 1.087, devido ao leve peso dos etíopes. O episódio entrou para o livro dos recordes, e, durante este voo, dois bebês nasceram.




Adaptação a uma cultura diferente

Israel foi o único país do mundo que retirou negros da África para transformá-los em verdadeiros cidadãos, e não para escravizá-los. Projetos pedagógicos foram especialmente desenvolvidos para facilitar a integração das crianças etíopes na comunidade israelense.

Grande parte deles nunca havia tido contato com uma civilização aos moldes ocidentais. A maioria pertencia a alguma tribo africana. Muitos nunca haviam sentado em uma cadeira ou sequer calçado um sapato.

Atualmente, a comunidade etíope em Israel conta com aproximadamente 100 mil habitantes, a maioria já nascida em solo israelense. Pode-se dizer que já estão bem adaptados, e para isso, contam com bairros próprios, com lojas e restaurantes etíopes.

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